A palavra desorientação associa-se a uma indisposição espacial, uma desorganização. Isso porque acreditamos que orientar é organizar e vice-versa, dar um ‘sentido’ às coisas. Daí a importância da geometria ocidental, que sempre privilegiou a visão e a regularidade dos espaços, os alinhamentos da cidade reticulada na formação do sentido moderno. Quanto mais a sociedade do espetáculo avança em sua trajetória ao nada, mais rígidas e especializadas suas formas se tornam.
A desorientação foi um elemento fundamental para a Teoria da Deriva formulada por Guy Debord.
Segundo Debord, Guy Debord: “Um bairro não é determinado apenas pelos fatores geográficos e econômicos, mas pela representação que seus moradores têm dele”.
A deriva era algo próximo à figura do flaneur de Baudelaire. A Teoria da Deriva também reivindicava e vinha somar com as proposições dos anos 60-70 de uma nova sociedade nômade, onde a mobilidade deveria desempenhar um papel fundamental. A concepção da cidade como um novo território nômade, onde se produzisse uma série de desorientações programadas, aparece mais nitidamente na idéia dos mapas psicogeográficos (naked city) de Debord. A deriva deveria constituir-se numa ciência, que eles denominariam psicogeografia¹, e para isso enumeraram toda uma série de campos de investigação científica que poderiam ser utilizados pelo método psicogeográfico.
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¹Psicogeografia: estudo da influência do espaço sobre o psicológico da pessoa que o utiliza, e seus efeitos no comportamento da mesma.
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